Lula critica decisão dos EUA que classificou CV e PCC como organizações terroristas

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Lula em Sergipe critica classificação de CV e PCC como terroristas pelos EUA e defende autonomia nacional. (Foto: Instagram)

Em um evento da Petrobras realizado em Sergipe nesta sexta-feira (29), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou profundo descontentamento com a decisão do Departamento de Estado dos EUA de rotular o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. O petista afirmou que se sente “muito triste” com a declaração e defendeu que as facções devem ser enfrentadas internamente.

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Lula criticou diretamente o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e acusou o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de agir como “traidor da pátria” ao, segundo ele, incentivar intervenção estrangeira no Brasil. O presidente lembrou que só aceitará soluções formuladas pelo próprio povo brasileiro.

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No discurso, Lula disse que “nossos criminosos são terroristas para as comunidades brasileiras”, mas garantiu que o enfrentamento ocorrerá exclusivamente por meio das forças nacionais. Ele mencionou a aprovação da Lei Antifacção como instrumento essencial para combater o tráfico de drogas e as quadrilhas dentro do país.

O presidente recordou ter entregue um documento ao então chefe de Estado americano, Donald Trump, afirmando que o Brasil não aceita ser tratado como “moleque” e rejeita qualquer tipo de intromissão externa. Para ele, a independência nacional não pode ser colocada em xeque por decisões unilaterais de potências estrangeiras.

Ainda no evento, Lula comparou o senador Flávio Bolsonaro a Joaquim Silvério dos Reis, o delator de Tiradentes na Inconfidência Mineira, e declarou que “ele ficaria envergonhado se soubesse que há um candidato à presidência pedindo intervenção americana no Brasil”. A analogia reforça a crítica aos pedidos feitos por aliados do atual governo.

Em nota oficial divulgada pelo Itamaraty, o governo federal classificou como inaceitável a politização da segurança pública, acusando “traidores” de manipular conceitos para favorecer interesses externos e criticando “falsos patriotas” que clamam por interferência estrangeira em assuntos internos.

Do ponto de vista do Planalto, a medida cria precedentes para que os EUA possam intervir no Brasil com seu aparato militar, assim como ocorre na Venezuela desde julho de 2025, quando o presidente Donald Trump passou a bombardear embarcações suspeitas de envolvimento com o chamado “narcoterrorismo”.

Aprovada em 24 de março de 2026 e em vigor desde o dia seguinte, a Lei Antifacção endurece as sanções contra facções criminosas, com penas que podem chegar a 40 anos de prisão. A legislação também estabelece novos instrumentos, como um banco nacional de identificação de organizações criminosas.

A proposta tipifica como crime integrar, financiar ou comandar grupos como CV e PCC, além de estabelecer punições para controle territorial por meio de violência ou ameaça. Ficam sujeitos à lei atos de bloqueio de vias, instalação de barricadas, ataques a serviços públicos e sabotagem de infraestrutura.