Lula afirma que rotular PCC e CV como terroristas pode afetar o Pix

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Lula critica decisão dos EUA que rotula PCC e CV como organizações terroristas (Foto: Instagram)

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou-se nesta sexta-feira (29) contra a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em comunicado do Palácio do Planalto, foi destacado que essa medida estrangeira pode comprometer o sistema financeiro brasileiro e até impactar o funcionamento do Pix.
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A nota oficial também criticou duramente membros da família Bolsonaro, qualificando como “deplorável” a atuação de aliados do ex-presidente em iniciativas internacionais que envolvem segurança pública do Brasil. Segundo o Planalto, esses encontros contribuíram para influenciar decisões externas sobre temas ligados à ordem interna brasileira.
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O texto ressaltou que o Brasil já promove um combate permanente às facções criminosas e que não aceitará interferências externas em suas políticas de segurança nacional. “Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o Pix”, afirmou trecho da declaração do Planalto, lembrando avanços recentes no setor de pagamentos instantâneos.

O pronunciamento ocorreu logo após uma reunião no Palácio do Planalto, que contou com representantes da Casa Civil, Ministério da Justiça, Ministério da Economia, Advocacia-Geral da União, Ministério da Indústria e Comércio e a Secretaria de Comunicação Social. O encontro teve como objetivo avaliar os impactos econômicos e financeiros resultantes da decisão americana.

Na avaliação do governo federal, medidas unilaterais como essa podem dificultar o intercâmbio de informações entre polícias de diferentes países e trazer prejuízos ao comércio exterior e ao fluxo de investimentos no Brasil. O Planalto alertou para o risco de entraves nas cooperações internacionais de segurança.

Apesar de reconhecer que o PCC e o CV “praticam atos de terrorismo” em áreas sob seu domínio, o texto enfatizou que, pela legislação brasileira, as facções seguem enquadradas como organizações criminosas. Qualquer mudança nesse enquadramento, reforçou o governo, dependerá exclusivamente de leis aprovadas no Congresso Nacional e de decisões judiciais.

Durante agenda oficial em Sergipe, o presidente Lula comentou o assunto e dirigiu críticas diretas a integrantes da família Bolsonaro que se reuniram nos Estados Unidos. Ele afirmou que o Brasil “não aceita ser tratado como republiqueta” e defendeu a soberania nacional diante das iniciativas do governo de Donald Trump.

A inclusão do PCC e do CV na lista de grupos terroristas dos EUA foi anunciada após encontros do senador Flávio Bolsonaro com autoridades americanas, entre elas o secretário de Estado Marco Rubio. Rubio declarou nas redes sociais que as duas facções são “as organizações mais perigosas do Brasil” e garantiu que os EUA usarão “todas as ferramentas disponíveis” contra elas. Flávio Bolsonaro comemorou a decisão, classificando-a como “um grande dia”.