Comissão confirma que Juscelino Kubitschek foi assassinado durante a ditadura

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Relatório da CEMDP aponta atentado contra Juscelino Kubitschek (Foto: Instagram)

A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) aprovou, na última sexta-feira (29), um relatório que conclui que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi vítima de um atentado no período da ditadura militar, refutando a versão oficial de 1976 que atribuía a morte a um acidente automobilístico na Via Dutra, entre Rio de Janeiro e São Paulo. O documento reúne perícias, depoimentos e indícios de supostas fraudes na investigação original, além de apontar falhas graves nos laudos oficiais.

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O parecer recebeu seis votos favoráveis e uma abstenção em reunião realizada na sede da Procuradoria Regional da República da 3ª Região, em São Paulo. A relatora, professora Maria Cecília Adão, defende que indícios apontam para motivação política na morte de JK. Segundo o relatório, emissários do governo de Ernesto Geisel teriam influenciado Kubitschek a viajar de carro, em vez de avião, parte de uma suposta estratégia para conduzi-lo ao trecho onde ocorreu a colisão fatal.

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Segundo o documento, a mudança de transporte foi planejada para levar o ex-presidente exatamente ao local do acidente. A relatora afirma que o episódio não transcorreu como foi divulgado e que houve ocultação e destruição de provas. “Se consideramos o contexto político, as falhas e a destruição de evidências, podemos afirmar que o assassinato foi encoberto”, declarou Maria Cecília.

A análise ainda destaca que o motorista de Kubitschek percebeu sinais anormais no veículo antes da viagem, detalhe que ganhou relevância na nova investigação. O relatório incorpora dados de perícias e apurações ao longo de décadas e ressalta que peritos do Instituto Médico-Legal do Rio de Janeiro ligados ao caso estavam envolvidos em outras investigações com suspeitas de irregularidades durante o regime militar.

Foram identificadas ao menos 37 inconsistências e possíveis fraudes na apuração original, como a chegada rápida de militares ao local—cerca de 20 minutos após a colisão—e o controle imediato da área, o que pode ter comprometido a preservação de provas. O documento também aponta interferência em depoimentos de testemunhas que negaram ter visto o impacto, mas foram desconsideradas na versão oficial.

O relatório questiona detalhes da dinâmica do acidente: marcas de frenagem não compatíveis com o ônibus envolvido e o ângulo de impacto no carro de JK divergente da versão oficial. A comissão lamenta a falta de isolamento da pista, a remoção precoce dos veículos e a ausência de exame toxicológico para investigar possível envenenamento. Chama atenção ainda a diferença de cerca de três horas entre o acidente e o registro oficial da morte, além do desaparecimento do diário pessoal de Kubitschek. Com a aprovação do parecer, a CEMDP pretende solicitar a retificação da certidão de óbito conforme a Resolução 601/2024 do Conselho Nacional de Justiça.