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Antes e depois da fábrica da Ypê após irregularidades sanitárias apontadas pela Anvisa


Tanque corroído na unidade da Ypê em Amparo, antes das reformas (Foto: Instagram)

A unidade da Ypê em Amparo, no interior de São Paulo, passou por uma força-tarefa de reformas após a Anvisa identificar falhas sanitárias em áreas de produção de detergentes, desinfetantes e lava-roupas líquidos. Fotografias de antes e depois, obtidas em visita monitorada, exibiram melhorias em tanques, sistemas de tubulação e pisos industriais que apresentavam sinais de corrosão e acondicionamento inadequado, ameaçando a qualidade dos produtos.

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Poucos dias antes dessas intervenções, a agência federal havia determinado a suspensão de lotes com final 1, produzidos entre dezembro de 2025 e abril de 2026, após encontrar vestígios de contaminação microbiológica. A vistoria apontou equipamentos com corrosão, tanques mal conservados e restos de produtos retornados à linha de envase, circunstâncias que comprometem as Boas Práticas de Fabricação.

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O relatório da fiscalização revelou que 80 lotes do período avaliado apresentaram resultados acima dos limites microbiológicos, com testes positivos para a bactéria Pseudomonas aeruginosa. Além disso, houve registro de corrosão em caldeiras e tubulações, e tanques de manipulação com revestimento comprometido. A Anvisa alerta que tais condições favorecem a proliferação de fungos e bactérias, oferecendo riscos de irritações e infecções aos consumidores.

Durante a visita à fábrica, o diretor executivo de operações da Ypê, Eduardo Beira, neto dos fundadores, garantiu que os lotes identificados permanecem armazenados, isolados do mercado. Ele explicou que equipes trabalham em três turnos para executar limpeza profunda, pintura e manutenção corretiva. Beira ressaltou ainda que muitos processos são automatizados e que grande parte dos pontos apontados não tem contato direto com o produto final.

Apesar de ter obtido efeito suspensivo automático após recorrer da decisão da Anvisa, a Ypê optou por manter a produção paralisada até concluir todas as adequações solicitadas. A diretoria colegiada da agência deve se reunir em 13 de maio para avaliar se a suspensão da fabricação e da comercialização dos lotes será mantida ou revogada. Especialistas em direito regulatório indicam que o processo ainda poderá passar por novas etapas internas, incluindo análise de recursos e verificação do recolhimento dos produtos.

Mesmo com o recurso apresentado pela empresa, a Anvisa reforça que a avaliação técnica dos riscos não foi alterada. Por isso, a recomendação oficial segue sendo a de evitar o uso dos produtos listados, entre eles detergentes lava-louças Ypê, desinfetantes Bak Ypê e Atol, e lava-roupas líquidos Tixan Ypê. Órgãos de defesa do consumidor, como Procon e Senacon, acompanharão todo o desenrolar da investigação.

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