Desenrola 2.0 preserva juros do consignado e preocupa aposentados do INSS

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Desenrola 2.0: governo libera uso de FGTS e limita juros para renegociação de dívidas (Foto: Instagram)

O governo federal lançou em 8 de maio de 2026 o programa Desenrola 2.0, que promete facilitar a renegociação de dívidas para milhões de brasileiros. Voltado a endividados de diversas faixas de renda, o pacote surpreendeu aposentados e pensionistas do INSS, que continuam expostos às mesmas condições de juros do crédito consignado, modalidade criticada por elevar o superendividamento entre idosos.

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A principal novidade do Desenrola 2.0 é permitir usar até 20% do saldo do FGTS para quitar débitos, além de oferecer descontos que chegam a 90% do valor original. O programa amplia opções de parcelamento de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, com juros limitados a 1,99% ao mês nessas modalidades. Mesmo assim, especialistas apontam que não há alteração na estrutura de encargos do consignado.

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Embora ofereça vantagens pontuais, o plano mantém a permissão de descontar até 40% da renda mensal dos beneficiários para pagar o consignado. Esse percentual inclui até 5% destinado a cartões de crédito consignados e pode comprometer quase metade da aposentadoria, dificultando o custeio de itens básicos como alimentação, moradia e remédios. A dedução automática das parcelas torna o orçamento dos idosos mais rígido e vulnerável.

Outro destaque do anúncio de Lula é o bloqueio, por 12 meses, do acesso de beneficiários a plataformas de apostas online, medida que visa reduzir o risco de novo endividamento. O programa atende pessoas com renda de até cinco salários mínimos e estabelece regras específicas para estudantes com dívidas do Fies, microempreendedores e produtores rurais, ampliando o alcance em relação à primeira edição do Desenrola.

Especialistas e entidades como Procon, Idec e o Ministério da Justiça criticam o programa por não atacar as causas do superendividamento. De acordo com esses órgãos, o Desenrola 2.0 foca apenas em dívidas vencidas, sem impor barreiras eficazes ao marketing agressivo feito por telemarketing, que frequentemente usa dados vazados para oferecer novos empréstimos a aposentados. Na visão dos técnicos, essa falha permite que os idosos voltem a se endividar rapidamente.

Sem uma reforma mais profunda no modelo do consignado, economistas alertam que o Desenrola 2.0 pode ter efeito limitado e funcionar apenas como um alívio temporário. Dados do Banco Central mostram que quase 30% da renda dos brasileiros está comprometida com dívidas, o nível mais alto desde o início da série histórica em 2005. Para aposentados que recebem apenas um salário mínimo, o risco de retorno ao superendividamento permanece elevado.