‘Vírus do rato’: especialista explica se hantavírus pode dar origem a nova pandemia

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Roedor: principal vetor de transmissão do hantavírus observado em áreas de risco (Foto: Instagram)

A confirmação de casos de hantavírus vinculados à viagem do navio MV Hondius deixou autoridades sanitárias em alerta em diversos países. Conforme relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), cinco passageiros contraíram a infecção a bordo e um sexto caso foi registrado após o desembarque. A situação reacendeu receios sobre o chamado “vírus do rato” e suscitou questionamentos acerca do risco de um surto mais amplo ou mesmo de uma pandemia. O alerta mobilizou centros de vigilância internacionais que acompanham de perto eventuais novos casos.

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Os dois primeiros pacientes confirmados haviam percorrido Argentina, Chile e Uruguai antes de embarcar no cruzeiro. Durante o trajeto, eles participaram de observação de pássaros em áreas onde circula a variante conhecida como “vírus dos Andes”, endêmica na América do Sul. Até o momento, nenhum outro passageiro apresentou sinais da doença, mas equipes de saúde devem avaliar todos a bordo quando o navio atracar na Espanha.

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Em entrevista ao portal Bacci Notícias, o médico emergencialista Dr. Yuri Castro Santos esclareceu que o hantavírus é uma zoonose grave provocada por vírus da família Bunyaviridae, transmitida principalmente por roedores silvestres. Nas Américas, a forma mais comum é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, caracterizada por sintomas que evoluem rapidamente para insuficiência respiratória aguda e apresentam elevadas taxas de mortalidade. A infecção ocorre quando partículas contaminadas por urina, fezes ou saliva de roedores secos se misturam à poeira e são inaladas, sendo essa a principal via de contágio em ambientes fechados.

Como não existe vacina de uso amplo contra o hantavírus, a prevenção depende de cuidados ambientais para interromper a cadeia de transmissão. Dr. Yuri recomenda evitar o acúmulo de lixo, entulho e restos de alimentos que atraiam roedores; ventilar bem espaços fechados antes da limpeza; umedecer superfícies antes de varrer para reduzir a dispersão de poeira; e usar água sanitária ou soluções com hipoclorito na higienização. Esses procedimentos são especialmente importantes em locais que ficaram fechados por longos períodos, como galpões e depósitos.

Apesar do receio global, especialistas consideram baixo o risco de o hantavírus evoluir para uma pandemia. “Para isso, o vírus precisaria desenvolver transmissão sustentada entre humanos, sobretudo por via respiratória, o que não ocorre atualmente”, afirmou Dr. Yuri. Além disso, seriam necessárias mutações significativas que alterassem a capacidade de infecção de pessoa para pessoa.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, reforçou que o risco global à saúde pública segue baixo. Maria Van Kerkhove, diretora de gestão de epidemias e pandemias da organização, destacou que o cenário atual não se compara ao da pandemia de Covid-19, já que a principal forma de contágio do hantavírus continua sendo o contato indireto com secreções de roedores infectados.