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Suspeito de exibir partes íntimas em supermercado sofre tortura pelo ‘Tribunal do Crime’


Homem acusado de importunação sexual é torturado por “Tribunal do Crime” em Manaus (Foto: Instagram)

Um homem acusado de importunação sexual em um supermercado da zona sul de Manaus foi capturado e submetido a uma sessão de tortura por integrantes de um autodenominado “Tribunal do Crime”. O registro das agressões, que mostra o suspeito confessando a conduta antes dos golpes, foi divulgado pelos próprios criminosos. A vítima, uma cliente do estabelecimento, havia gravado o ato de exibicionismo e viralizado o vídeo nas redes sociais, o que levou ao cerco do grupo organizado.

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O registro original ocorreu em um supermercado no bairro Japiim, quando o indivíduo exibiu os órgãos genitais diante de uma cliente. Após a circulação imediata das imagens, integrantes de uma facção criminosa local identificaram e localizaram o suspeito, julgando-o sumariamente por violar regras não escritas de comportamento na comunidade.

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Segundo os próprios agressores, a decisão de infligir a tortura se baseou na “justiça com as próprias mãos”, uma prática de facções que busca manter controle social em áreas periféricas. No vídeo divulgado, o suspeito aparece amarrado e cercado por vários homens armados com pedaços de madeira, instrumentos usados para causar dor e intimidação.

Durante a gravação, o homem é questionado a reconhecer a autoria do ato de importunação. Um dos torturadores pergunta: “Tá ciente porque tá sendo cobrado, irmão? Fala aí teu ato, parceiro.” Em seguida, o suspeito responde, gravemente ferido: “Eu mexi com a menina lá do DB.” A confissão é exigida como condição para encerrar as agressões.

Em tom ameaçador, os criminosos enfatizam que não se trata de uma chance de se redimir, mas de punição. “Isso aqui não é uma oportunidade que [nós] tá te dando não. Agradece a Deus porque [nós] é o crime, [nós] não tem amor não, parceiro”, diz um dos agressores, reforçando a ausência de misericórdia do grupo perante quem descumpre suas normas internas.

Até o momento, a Polícia Militar e a Polícia Civil do Amazonas não se pronunciaram sobre a identificação dos torturadores nem sobre o estado de saúde do suspeito após a sessão de violência. As autoridades agora terão de conduzir duas investigações paralelas: uma sobre a importunação sexual no supermercado, com base no vídeo gravado pela vítima, e outra para identificar os membros da facção que realizaram e filmaram a tortura.

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