
Ex-seminarista Brendo Silva denuncia frei Gilson por discursos homofóbicos (Foto: Instagram)
O jornalista e ex-seminarista Brendo Silva protocolou no Ministério Público de São Paulo uma denúncia contra o frei Gilson da Silva Pupo Azevedo, acusando-o de veicular discursos homofóbicos em pregações, entrevistas e publicações nas redes sociais. Segundo Silva, o religioso faz uso de termos ultrapassados, associa a homossexualidade a desordem e chega a empregar expressões pejorativas que reforçam estigmas contra a comunidade LGBTQIA+.
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Com 33 anos, Brendo Silva deixou o seminário após sete anos de formação e hoje se identifica como agnóstico. Autor do livro A Vida Secreta dos Padres Gays, lançado pela editora Matrix, ele afirma que o conteúdo surgiu das experiências vividas nos bastidores da Igreja Católica. A partir dessa vivência, Silva decidiu expor, sem citar nomes, situações envolvendo a intimidade de membros do clero, o que, segundo ele, motivou ameaças e críticas.
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Na denúncia encaminhada ao MPSP, Brendo aponta que Frei Gilson usa o termo “homossexualismo” em pregações e compara a homossexualidade a “contrariedade à lei natural” e “depravação grave”. Ele ressalta ainda que declarações desse tipo ajudam a legitimar preconceitos, pois reforçam narrativas que associam a orientação sexual a doença ou desvio moral, agravando o preconceito e a discriminação que o grupo já enfrenta.
Em sua trajetória pessoal, Brendo Silva relata ter recorrido a jejuns, penitências e práticas ligadas à chamada “cura gay” para tentar reprimir sua sexualidade. Ele afirma que, mesmo após tantos sacrifícios, o sofrimento psicológico permaneceu, o que o levou a reconhecer que viver em negação não era sustentável e decidira abandonar definitivamente o seminário.
O autor conta que, durante o período de formação religiosa, chegou a morar na Europa e sonhava com uma carreira estável dentro da Igreja Católica. No entanto, ao presenciar contradições entre o discurso público e os comportamentos reservados de alguns colegas — que frequentavam boates e saunas —, entendeu que a instituição mantinha regras rígidas que não condiziam com a prática de alguns membros do clero.
A representação entregue pelo ex-noviço inclui vídeos em que Frei Gilson reafirma a proibição de relações entre pessoas do mesmo sexo, além de posicionamentos que tratam mulheres como secundárias. Silva argumenta que esse tipo de fala contribui para o aumento da violência contra LGBTQIA+ e para índices preocupantes de feminicídio no Brasil, pois legitima discursos discriminatórios em um contexto social já marcado por altos índices de agressão e ódio.








