João de Deus, acusado de abusar de mais de 100 mulheres, tem pena reduzida pela metade

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João de Deus chega para audiência em Goiás sob monitoramento eletrônico (Foto: Instagram)

João Teixeira de Faria, conhecido mundialmente como João de Deus, é o médium acusado por centenas de mulheres de abuso sexual durante atendimentos espirituais. Em primeira instância, ele foi condenado a um total aproximado de 489 anos de prisão pelos crimes de estupro, estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude. Desde 2021, cumpre prisão domiciliar em Anápolis (GO) após decisão judicial que considerou sua idade avançada e problemas de saúde, substituindo o regime fechado. Ele está sob monitoramento com tornozeleira eletrônica, aguardando os desdobramentos dos recursos apresentados pela defesa e pela acusação.

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Recentemente, a Justiça de Goiás determinou a redução de sua pena para pouco mais de 214 anos de reclusão e um ano de detenção, representando a diminuição de mais da metade da sentença inicial. A revisão foi resultado do julgamento dos recursos de apelação em segunda instância, que considerou aspectos formais e atenuantes defendidos pelos advogados do médium. Ainda assim, o total revisado mantém o caráter excepcional da punição, mesmo com a idade de 83 anos dele.

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As condenações obedecem a 18 ações penais distintas, que envolveram relatos de mais de 100 vítimas entre brasileiras e estrangeiras. Nos processos, as mulheres afirmaram que eram atraídas para sessões espirituais em Abadiânia (GO) com promessas de cura de doenças físicas e emocionais. Lá, segundo as denúncias, João de Deus isolava as pacientes para aplicar as abordagens práticas que configuraram os abusos, em muitos casos recorrendo a artifícios de fraude espiritual para coagir as vítimas e legitimar suas ações.

João de Deus construiu reputação internacional ao afirmar incorporar entidades espirituais em manifestações públicas, atraindo seguidores do Brasil e do exterior. Durante décadas, recebeu milhares de visitantes em sua casa de orações em Abadiânia, alavancando doações e influenciando redes sociais de fiéis. A imagem de curandeiro começou a ruir em dezembro de 2018, quando as primeiras mulheres denunciaram os abusos. No intervalo de poucos dias, surgiram mais de 200 relatos, número que cresceu para centenas, incluindo depoimentos de vítimas que detalharam o uso de fraudes para supostamente tratar males espirituais.

O mandado de prisão preventiva contra João de Deus foi cumprido em 16 de dezembro de 2018, após decisão do Tribunal de Justiça de Goiás. Desde então, o médium responde a diversos processos, com sentenças progressivamente somadas pelas instâncias superiores. Em 2023, por exemplo, novos julgamentos elevaram temporariamente sua pena para cerca de 489 anos, antes da mais recente redução. As ações abrangem crimes cometidos entre 2010 e 2017, período em que dezenas de mulheres procuram a Justiça para registrar as acusações.

Atualmente, sob prisão domiciliar em Anápolis, João de Deus utiliza tornozeleira eletrônica e permanece monitorado pela Vara de Execuções Penais. A condição de cumprimento em casa foi concedida após exame médico constatar hipertensão, problemas cardíacos e outras comorbidades ligadas à sua idade. Apesar da redução, o ex-médium ainda enfrenta possibilidade de novos recursos no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal, onde a defesa busca, entre outros pontos, a readequação do regime prisional.