
Vice-cacique Guarani-Kaiowá é assassinado e comunidade bloqueia MS-289 em protesto (Foto: Instagram)
O vice-cacique do povo Guarani-Kaiowá, Givaldo da Silva Gomes, de 40 anos, foi assassinado a tiros na noite de sexta-feira (1º) na aldeia Taquaperi, situada entre os municípios de Coronel Sapucaia e Amambai, em Mato Grosso do Sul. Moradores relataram que dois homens armados, em uma motocicleta, se aproximaram da liderança indígena e dispararam diversas vezes, matando-o imediatamente às margens da rodovia MS-289. A comunidade ficou em choque com o ocorrido.
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De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e relatos de testemunhas, Givaldo aguardava a chegada do irmão próximo ao acostamento quando foi surpreendido pelos atiradores. Os agressores executaram vários disparos com armas de calibre ainda não informado pelas autoridades. A vítima não tinha histórico de conflitos ou de ameaças recentes, o que torna obscura a motivação do crime. Casado e pai de cinco filhos, Givaldo deixa uma esposa e uma família abalada. As autoridades policiais iniciaram investigações para esclarecer circunstâncias e identificar os responsáveis.
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Na manhã de sábado (2), membros das etnias Kaiowá e Guarani promoveram um protesto bloqueando a rodovia MS-289 em ambos os sentidos. Utilizando troncos e galhos, os manifestantes exigiam respostas das autoridades sobre o assassinato de Givaldo e medidas efetivas de segurança para as comunidades indígenas. O bloqueio mobilizou dezenas de pessoas e chamou atenção de motoristas e autoridades locais, que acompanharam a ação pacífica, mas firme, dos indígenas.
Ainda no sábado, pela tarde, o corpo de Givaldo foi conduzido de volta à Reserva Taquaperi para o velório. Familiares, caciques e moradores realizaram celebrações tradicionais, prestando últimas homenagens com cantos e rituais que expressaram revolta e tristeza. A cerimônia mobilizou toda a comunidade, que destacou a importância da liderança do vice-cacique na defesa do território e na promoção de iniciativas sociais. O clima na aldeia permaneceu tenso, mas unido em solidariedade.
O homicídio ocorre em meio a um contexto já marcado por conflitos fundiários na região. No fim de semana anterior, cinco indígenas foram detidos após ocuparem a Fazenda Limoeiro, área que se sobrepõe à Terra Indígena Iguatemipeguá II. Conforme relatado pela Polícia Militar, a operação noturna, com apoio do Batalhão de Choque e do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), retirou uma família de produtores rurais. Embora não haja confirmação oficial de feridos, lideranças indígenas afirmam que houve uso de violência na desocupação, intensificando o clima de insegurança.
A Reserva Taquaperi faz parte do conjunto de oito terras demarcadas pelo antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI) na primeira metade do século XX. Criada pelo Decreto nº 835, de 15 de novembro de 1928, com cerca de 2 mil hectares, teve sua regularização concluída em 1940. Hoje, a reserva abriga cerca de 5 mil indígenas, segundo lideranças locais. Parte do território está ocupada por propriedades rurais, gerando disputas diárias por espaço e agravando problemas como superpopulação interna, falta de infraestrutura básica e déficit de recursos para atender as demandas da comunidade.
