Presidente de ONG questiona sanções a adolescentes após estupro coletivo de crianças em SP

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Adolescente suspeito de estupro coletivo contra duas crianças é apreendido em Jundiaí (Foto: Instagram)

Na noite desta semana, um dos adolescentes suspeitos de envolvimento em um estupro coletivo contra duas crianças na zona leste de São Paulo foi apreendido em Jundiaí depois de procurar atendimento em um serviço de acolhimento social acompanhado pela mãe. Até então, todos os envolvidos estavam com mandados de apreensão em aberto. O crime, que ocorreu em 21 de abril em União de Vila Nova, bairro de São Miguel Paulista, chocou o país.

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O caso ganhou ainda mais repercussão depois que o presidente da ONG, Bruno Matos, questionou publicamente a efetividade das punições aplicadas a adolescentes em crimes dessa gravidade. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Matos criticou deficiências estruturais no sistema de responsabilização juvenil brasileiro. Para ele, mesmo após cumprirem medidas socioeducativas, os jovens tendem a retornar à sociedade com ficha limpa, sem registro visível de violência.

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Conforme informações oficiais, o menino detido procurou um abrigo social e foi identificado pelas autoridades, que já haviam reconhecido os envolvidos. Outros suspeitos permanecem foragidos, incluindo um adulto. As vítimas são dois meninos, de 7 e 10 anos, e as famílias só denunciaram o crime dias depois por medo. A denúncia tramita em sigilo no 63º Distrito Policial.

Matos ressalta que a cadeia de impunidade amplia o risco de reincidência. “Daqui dois, três anos, ele está na rua novamente, com histórico limpo. Ninguém vai saber o que essa pessoa fez”, afirmou. O presidente da ONG também levantou a questão da responsabilização penal de eventuais cúmplices ou familiares que auxiliem os jovens a escapar da Justiça.

Outro ponto enfatizado por Matos foi a circulação de vídeos que registram a agressão. Ele fez um apelo para que qualquer pessoa que tenha imagens do crime as apague imediatamente, lembrando que a divulgação pode alimentar redes criminosas e agravar o trauma das vítimas. “Se você tem esse vídeo no celular, apague. Não compartilhe”, insistiu.

Matos destacou ainda a subnotificação de abusos contra crianças: apenas uma fração desses casos chega ao conhecimento das autoridades, seja por vergonha, falta de informação ou receio de retaliações. Ele criticou a sobrecarga dos serviços públicos de atendimento, a escassez de equipes especializadas e defendeu o fortalecimento de políticas como delegacias especializadas, apoio psicológico contínuo e reforço nos conselhos tutelares.

A Polícia Civil confirma que todos os suspeitos foram identificados e prossegue com diligências para capturar quem ainda está foragido. As vítimas e seus familiares recebem acompanhamento do Conselho Tutelar e assistência multidisciplinar. As autoridades reforçam a importância de denúncias em casos de violência sexual contra crianças e adolescentes. O Bacci Notícias teve acesso aos detalhes, mas optou por não publicar imagens ou vídeos devido à gravidade do conteúdo.