
A Polícia Civil de Minas Gerais abriu inquérito para apurar a morte de um menino de cinco anos em Januária, no Norte de Minas, depois que médicos desconfiaram das lesões no corpo da criança e da versão apresentada pela mãe. Segundo testemunhas, o ambiente familiar era marcado por violência física e psicológica, e o garoto, identificado como Artur Viana Rodrigues, apresentava sinais de agressões antigas. As autoridades descartaram, em primeira análise, a hipótese de intoxicação alimentar e passaram a investigar um possível caso de maus-tratos.
++ Sistema de IA revela como gente comum está criando renda passiva no automático
De acordo com o delegado Willian Araújo, o menino deu entrada na unidade de saúde local por volta das 23h do domingo, 26 de abril, com quadro clínico grave e incompatível com intoxicação ou quedas de altura. A mãe, de 27 anos, relatou que o filho teria passado mal após comer carne estragada e que as lesões seriam consequência de uma queda de bicicleta. No entanto, os cortes e hematomas encontrados não condizem com o relato, o que reforça a necessidade de apurar divergências no depoimento materno.
++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein
Exames preliminares apontaram hematomas no rosto e escoriações no abdômen, além de marcas pelo corpo que sugerem agressões repetidas. Vizinhos e parentes informaram à polícia que era comum ouvir o menino chorando em casa e que episódios de violência eram frequentes. O caso ganhou repercussão quando a equipe médica da unidade decidiu acionar as autoridades devido às lesões incomuns para uma simples intoxicação. Conforme o delegado Araújo, há indícios de um ciclo de maus-tratos que se prolongou até resultar no desfecho trágico.
A investigação também evidenciou lacunas no relato da mãe quanto ao intervalo entre o início dos sintomas e o pedido de socorro. A diferença de mais de dez horas entre os primeiros sinais de mal-estar e a chegada ao hospital levantou suspeitas de negligência. A polícia considera a explicação inconsistente, pois o quadro clínico apresentado estava muito avançado para justificar a demora no atendimento.
A necropsia preliminar, conduzida pelo Instituto Médico-Legal de Montes Claros, indicou “choque séptico secundário a abdome agudo” como causa da morte, avaliado pela perícia como compatível com traumatismos internos. As autoridades explicam que esse quadro pode decorrer de agressões severas acumuladas. No entanto, aguardam a conclusão do laudo definitivo, que trará detalhes sobre a extensão das lesões e embasará possíveis medidas judiciais contra os responsáveis pela guarda da criança.
Ainda não formalmente ouvida, a mãe possui antecedentes por furto, ameaça e violência contra crianças e adolescentes, segundo dados policiais. Revoltada com o caso, parte da vizinhança depredou a casa da família, que abandonou o imóvel. A Polícia Civil segue colhendo depoimentos e reunindo provas para concluir o inquérito e encaminhar o processo ao Ministério Público. A expectativa é de que o laudo final esclareça por completo as circunstâncias do crime.








