
Fifa aprova ‘Lei Vini Jr’ para coibir gestos racistas em campo (Foto: Instagram)
A Fifa oficializou uma série de mudanças em seu regulamento disciplinar após os recentes episódios de racismo envolvendo o atacante Vinícius Júnior. Entre as principais medidas está a criação da chamada “Lei Vini Jr”, que determina expulsão imediata para jogadores que cobrem a boca ao proferir ofensas durante discussões em campo. A iniciativa visa coibir gestos que sirvam de disfarce para insultos e reforçar a intolerância zero contra atitudes discriminatórias.
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A medida foi anunciada no mesmo dia em que a Fifa confirmou a suspensão de seis jogos ao atacante argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, por suposta conduta racista contra Vinícius Júnior. Em comunicado divulgado em 28 de abril, a entidade deixou claro que qualquer gesto de cobrir a boca com o intuito de insultar adversários passará a ser punido com cartão vermelho direto a critério da organização das competições.
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A proposta foi debatida e aprovada por unanimidade na reunião do International Football Association Board, em Vancouver, no Canadá. Os membros do órgão concordaram em incluir no livro de regras do futebol uma diretriz expressa que responsabiliza atletas por tentativas de utilizar sinais ou gestos para driblar a fiscalização dos árbitros em casos de insultos ou ofensas.
Outra diretriz inserida no novo conjunto de normas prevê punições para jogadores e integrantes das comissões técnicas que deixarem o campo como forma de protesto contra decisões da arbitragem. A mudança amplia a responsabilização de todo o staff das equipes, tornando mais rígido o controle sobre manifestações de indisciplina antes, durante e após as partidas.
As atualizações aprovadas pela Fifa serão repassadas, nas próximas semanas, às 48 seleções classificadas para a Copa do Mundo de 2026, que terá jogos no Canadá, nos Estados Unidos e no México. O objetivo é assegurar que o torneio seja disputado sob regras mais duras, com ênfase na disciplina e no respeito mútuo entre atletas, comissão técnica, arbitragem e torcedores.
O caso que motivou a criação da “Lei Vini Jr” ocorreu nos minutos finais de um duelo entre Real Madrid e Benfica, logo após o gol que garantiu a vitória do clube espanhol. Durante a comemoração, Vinícius se desentendeu com Gianluca Prestianni, que teria coberto a boca para proferir ofensas racistas, segundo relato do brasileiro.
A partida chegou a ser interrompida por cerca de dez minutos para a aplicação do protocolo antirracismo. Nesse intervalo, Vinícius Júnior e Kylian Mbappé conversaram com o técnico José Mourinho, e alguns atletas do Real Madrid chegaram a cogitar deixar o gramado em ato de protesto.
Após o término do jogo, Vinícius utilizou suas redes sociais para criticar duramente o adversário e denunciar a recorrência de ataques racistas em sua carreira. “Racistas são, acima de tudo, covardes. Precisam colocar a camisa na boca para mostrar como são fracos. Mas contam com proteção de quem deveria punir. Nada do que ocorreu hoje é novidade na minha vida e na da minha família”, desabafou o atacante.
