
Operação Contenção mira o cantor Oruam em investigação contra o Comando Vermelho (Foto: Instagram)
Na manhã desta quarta-feira (29), o cantor Oruam foi alvo da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro na Operação Contenção, que investiga a expansão territorial da facção Comando Vermelho e seu esquema de lavagem de dinheiro. A ação teve como foco endereços vinculados ao artista em busca de provas sobre a atuação do grupo no estado.
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Além do cantor, as autoridades também procuram sua mãe, Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, e o irmão de Oruam, cuja participação no caso está sendo apurada. Ambos aparecem em mandados de prisão e podem ter auxiliado nas transações financeiras suspeitas atribuídas à facção na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
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O rapper está foragido desde fevereiro de 2026, quando o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretou sua prisão preventiva após ele ter descumprido 66 vezes as regras da tornozeleira eletrônica. Na época, cumpria prisão domiciliar por suspeita de tentativa de homicídio contra policiais, além de resistência e desacato.
De acordo com a Polícia Civil, os agentes cumprem mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em imóveis ligados aos investigados nos bairros de Jacarepaguá e Barra da Tijuca. Até o momento, um suspeito já foi detido durante a operação, mas as diligências continuam em vários pontos da cidade.
As investigações, que duram cerca de um ano, descobriram um sofisticado sistema de lavagem de dinheiro. Segundo os policiais, valores obtidos com o tráfico eram repassados a operadores financeiros, que fracionavam os montantes em diversas contas de terceiros, dificultando o rastreamento dos recursos ilícitos.
O esquema englobava o pagamento de despesas pessoais, aquisições de imóveis e veículos, além de estratégias de ocultação patrimonial. Movimentações incompatíveis com a renda declarada pelos investigados reforçaram a suspeita de que o dinheiro tinha origem criminosa, alimentando o caixa do Comando Vermelho.
Durante as apurações, foram encontrados diálogos entre Carlos Costa Neves, o “Gardenal”, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho, e um membro de milícia. Também ficou evidente a influência de Márcio dos Santos Nepomuceno, o “Marcinho VP” — pai de Oruam e detido há anos — como liderança central da facção mesmo atrás das grades.
A Operação Contenção segue em curso para identificar outros envolvidos, empresas usadas no esquema e possíveis beneficiários indiretos. Segundo balanço da Polícia Civil, já foram cumpridos mais de 300 mandados de prisão, 136 suspeitos morreram em confrontos, cerca de 470 armas — incluindo 190 fuzis — foram apreendidas e mais de 51 mil munições foram recolhidas.
