
Trabalhador confere saldo do FGTS pelo aplicativo da Caixa (Foto: Instagram)
O governo federal confirmou que o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) será liberado no programa Desenrola 2.0 exclusivamente para a quitação integral de dívidas. A medida é restrita a quem recebe até cinco salários mínimos, ou seja, até R$ 8.105, e integra uma estratégia econômica e política do Palácio do Planalto para o primeiro semestre de 2026. Segundo a previsão oficial, o recurso só poderá ser usado se o valor disponível no fundo for suficiente para eliminar por completo o débito acumulado.
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Houve uma reviravolta nesta segunda-feira (27) na proposta inicial do governo, que chegou a considerar desistir da ideia devido a entraves jurídicos. Após ajustes no texto-base, o Desenrola 2.0 deve ser lançado em breve, com o propósito de auxiliar trabalhadores endividados a regularizarem suas pendências financeiras de maneira mais ágil e eficaz.
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Diferentemente do que vinha sendo discutido, a regra estabelece que o FGTS só poderá abater a dívida de forma total, sem permitir o uso parcial do saldo para reduzir apenas uma parte do valor devido. Por exemplo, se o débito totaliza R$ 2 mil e o saldo do fundo for igual ou superior a esse montante, o trabalhador poderá quitar o débito. Caso contrário, não terá acesso ao benefício. Apesar das dúvidas legais, o Ministério da Fazenda garantiu a liberação nesse formato.
O ministro Dario Durignan se reuniu nesta segunda (27) com executivos dos principais bancos brasileiros em São Paulo para definir os detalhes finais e solucionar eventuais divergências sobre o programa. Na prática, poderão participar do Desenrola 2.0 apenas os trabalhadores que ganham até cinco salários mínimos — valor máximo de R$ 8.105 — na nova fase do programa idealizado pelo governo Lula.
Esta etapa de renegociação é considerada uma “tábua de salvação” para milhões de brasileiros que enfrentam dívidas altas. O Desenrola, que foi um dos principais trunfos de campanha de Lula em 2022, retoma seu protagonismo na agenda econômica. A proposta visa oferecer condições agressivas de refinanciamento, de modo a garantir que o orçamento das famílias volte a fechar no fim do mês.
Em um momento de oscilações nos índices de aprovação, o governo busca medidas de impacto direto no bolso do eleitor. Segundo o blog do jornalista Valdo Cruz, o Planalto avalia que o alto nível de endividamento é um dos principais motores da insatisfação popular, e aposta no refinanciamento em massa para recuperar terreno nas pesquisas. Além disso, a iniciativa também tem caráter anti-inflacionário, ao proteger o consumo interno e impedir que a percepção de carestia domine o debate público. Nesse sentido, a quitação de dívidas é encarada como uma “vacina” contra o pessimismo econômico e foca na restauração do poder de compra dos cidadãos.
