
PF suspende credenciais de agente dos EUA em retaliação diplomática (Foto: Instagram)
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, anunciou na quarta-feira (22) a decisão de suspender as credenciais de um agente do governo dos Estados Unidos que atuava em Brasília. A medida foi tomada com base no princípio da reciprocidade junto às autoridades norte-americanas, após a adoção de providências semelhantes contra um delegado brasileiro envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem. Rodrigues enfatizou que a ação reflete uma equivalência diplomática, sem configurar expulsão, e destacou que a decisão foi formalmente comunicada ao Departamento de Estado dos EUA, reforçando o canal de diálogo administrativo entre as instituições.
++ Sistema de IA revela como gente comum está criando renda passiva no automático
Segundo o diretor, a medida é uma resposta direta ao pedido de retorno do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, que exercia o papel de oficial de ligação em Miami. Carvalho participou de operações relacionadas à detenção de Alexandre Ramagem e, por determinação das próprias autoridades, regressou ao Brasil. O pedido de retorno, segundo comunicado da Embaixada dos EUA em Brasília, ocorreu logo após a detenção de Ramagem em território americano no mês de março. Rodrigues esclareceu que a Polícia Federal não promoveu a expulsão de ninguém, mas aplicou a mesma orientação interna que motivara o retorno do delegado nacional.
++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein
Em entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews, Andrei Rodrigues detalhou que, a partir da medida, o agente americano perde o acesso às dependências da PF e aos sistemas de informação compartilhados entre os dois países. Ele reforçou que a exclusão de credenciais não implica em impedimento de entrada no Brasil, mas apenas na impossibilidade de continuar atuando sob os auspícios da Polícia Federal.
O princípio da reciprocidade, explicou Rodrigues, é prática corriqueira nas relações diplomáticas, em que cada país adota medidas equivalentes às impostas por outros. Apesar da necessidade de reagir, o diretor relatou que a decisão foi tomada com pesar, pois reconhece o risco de afetar a cooperação bilateral em investigações e operações conjuntas.
O episódio ocorre em meio a uma parceria histórica entre Brasil e Estados Unidos na área de segurança pública, respaldada por acordos internacionais que permitem a atuação de agentes em investigações de foragidos da Justiça. O delegado brasileiro atuava junto ao Immigration and Customs Enforcement (ICE), auxiliando na localização de suspeitos procurados em território estrangeiro.
O Itamaraty acompanha de perto a situação e mantém contato com representantes norte-americanos na expectativa de obter maiores esclarecimentos sobre as razões que levaram à suspensão das credenciais. Enquanto o impasse diplomático perdura, ambos os países avaliam os impactos diretos na cooperação policial, ainda considerada essencial para o combate ao crime transnacional.
