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Lula ironiza Trump e defende reforma do Conselho de Segurança da ONU em Portugal


Lula ironiza Trump e critica ONU em Lisboa (Foto: Instagram)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em visita oficial a Portugal nesta terça-feira (21), utilizou o tom irônico para reagir às declarações de Donald Trump, que afirmou ter encerrado oito guerras. Lula sugeriu, em tom de deboche, que o ex-presidente americano seria digno de um “Prêmio Nobel da Paz”. Com isso, o brasileiro aproveitou o palco europeu para criticar a ineficácia da ONU e a postura diplomática dos Estados Unidos.

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Durante o encontro com o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, Lula reafirmou que o fim de conflitos globais não se resolve com declarações unilaterais. Ele ressaltou ainda que o Conselho de Segurança da ONU precisa ser reformado com urgência, pois a configuração atual falha em frear o recorde de conflitos armados pelo mundo.

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A visita, porém, foi marcada por uma crise diplomática com Washington. O governo americano pediu a saída do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo, responsável pelo monitoramento que resultou na prisão do ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem em solo dos EUA. A justificativa dos EUA é uma suposta tentativa de “manipulação do sistema migratório”, acusação que Brasília considera infundada.

Em reação, Lula advertiu que o Brasil adotará o princípio da reciprocidade. “Se houve um abuso americano contra o nosso policial, vamos fazer o mesmo com o policial deles no Brasil. Não tem conversa”, afirmou, sinalizando possível expulsão de agentes norte-americanos caso Washington não apresente provas detalhadas.

Na mesma agenda, Lula condenou ações de parlamentares europeus que buscam barrar o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, previsto para vigorar provisoriamente em 1º de maio. Segundo ele, o tratado é crucial para o equilíbrio econômico entre os dois blocos, e barreiras ideológicas não podem impedir seu avanço. Ao lado de Luís Montenegro, o presidente brasileiro pediu que Portugal defenda a manutenção do cronograma, mesmo diante da resistência de setores agrícolas na Europa.

Enquanto isso, a Polícia Federal no Brasil já nomeou uma substituta para o cargo de oficial de ligação com o ICE, após a saída de Marcelo Ivo. Ele deve desembarcar em breve no país. A corporação vive clima de indignação, considerando a ação dos EUA um desrespeito ao memorando de cooperação policial. O Itamaraty aguarda esclarecimentos formais além das manifestações em redes sociais. Caso não haja respostas satisfatórias, o governo brasileiro deve decretar a expulsão de agentes norte-americanos ainda nesta semana, reafirmando a soberania nacional.

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