
Lula ameaça retaliação a EUA e pode expulsar agentes após exigência de retirada de delegado (Foto: Instagram)
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva estuda retaliar os Estados Unidos com a expulsão de agentes americanos que atuam no Brasil após a solicitação de Washington para que o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo deixe o território dos EUA. Ivo comandou o monitoramento de Alexandre Ramagem antes da prisão do ex-diretor da Abin em solo norte-americano. Segundo a CNN, o Palácio do Planalto avalia aplicar o princípio da reciprocidade caso o governo americano não apresente explicações formais às acusações de “perseguição política”.
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O impasse começou quando o Departamento de Estado americano utilizou suas redes sociais para afirmar que não aceitava interferência estrangeira em seu sistema de imigração para fins de perseguições políticas, sem, no entanto, enviar qualquer nota oficial ao Itamaraty. A diplomacia brasileira classificou a mensagem como “agressiva” e “incomum” por não detalhar as supostas irregularidades do delegado. Essa postura sem esclarecimentos específicos vem despertando reações mais duras em Brasília.
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Até então, delegados da Polícia Federal e agentes dos EUA trabalhavam em regime de cooperação mútua, amparados por um memorando de entendimento renovado em 2025, que prevê operações conjuntas e o intercâmbio de informações sensíveis. Fontes consultadas pela CNN revelaram que o Itamaraty solicitou formalmente esclarecimentos ao governo americano, mas não houve retorno com detalhes sobre as acusações contra Marcelo Ivo. A falta de transparência tem aumentado a pressão interna por uma resposta contundente do Brasil, comprometendo a confiança recíproca na cooperação bilateral.
Ainda nesta terça-feira (21), antes de deixar a Alemanha, o presidente Lula deu tom firme à resposta ao afirmar que o Brasil não aceitará “abusos americanos” e que a reciprocidade será aplicada. “Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com os deles no Brasil. Não tem conversa”, declarou, sinalizando que a expulsão de agentes dos EUA é uma opção real na agenda do governo.
No centro da disputa está o princípio da reciprocidade, alicerce das relações internacionais que prevê tratamentos equivalentes entre nações. Caso os Estados Unidos não revoguem o pedido de saída de Marcelo Ivo ou apresentem provas de que o delegado atuou fora de suas atribuições legais, o governo brasileiro tem sob análise determinar a remoção imediata de funcionários americanos que prestam serviço em solo nacional — uma medida sem precedentes recentes nessa relação bilateral.
Especialistas em política externa apontam que o impasse é delicado, pois envolve cooperação em segurança nacional e o monitoramento de figuras políticas sob investigação. A defesa de Alexandre Ramagem já utiliza o episódio para alegar perseguição, enquanto o Itamaraty segue adotando postura cautelosa para evitar um desgaste prolongado na diplomacia. Internamente, cresce a pressão por uma retaliação “à altura”, mas o governo prefere aguardar um posicionamento formal do Departamento de Estado. Se o silêncio persistir, a ameaça de reciprocidade poderá se transformar em ação, definindo o rumo da parceria policial ao longo de 2026.
