
MC Poze do Rodo e MC Ryan SP presos em operação da PF por lavagem de R$ 1,6 bilhão (Foto: Instagram)
Em reportagem exibida neste domingo pelo Fantástico, foram divulgados áudios inéditos e documentos da Polícia Federal que ligam MC Poze do Rodo e MC Ryan SP a um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro de R$ 1,6 bilhão. As gravações, obtidas a partir de interceptações telefônicas e diligências autorizadas pela Justiça, revelam planos detalhados para operar rifas clandestinas e pulverizar transferências bancárias a fim de ocultar a procedência ilícita dos valores movimentados pelos artistas.
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Conforme apurou a PF, as prisões ocorreram na quarta-feira (15): Ryan foi detido em Bertioga (SP) e Poze, em sua casa no Rio de Janeiro. A investigação aponta que os cantores aproveitavam a própria notoriedade para conferir aparência de legalidade às quantias vindas das rifas ilegais, mesclando esse montante aos rendimentos oficiais de shows, vendas de merchandising e contratos publicitários firmados por suas equipes de management.
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Os agentes federais elucidaram que a técnica principal consistia em fragmentar grandes valores em diversas transações de baixo valor. Um exemplo apresentado ao Fantástico mostra que um montante de R$ 5 milhões era dividido em quase 500 transferências de R$ 10 mil cada, processadas ao longo de dias e semanas. Esse método tinha o objetivo de driblar os sistemas de monitoramento financeiro, camuflando o dinheiro originado em apostas e rifas na movimentação bancária rotineira.
O resultado dessa estratégia era uma verdadeira “nuvem” de operações, em que o recurso ilícito se confundia com o fluxo legítimo de receita dos MCs. Ao unir o dinheiro arrecadado nas rifas clandestinas com os cachês de shows e contratos formais, o grupo inseria a soma total no sistema financeiro como se proviesse de atividade regular. No apanhado geral, a Polícia Federal estima que R$ 1,6 bilhão tenham passado por esse mecanismo de lavagem.
Em entrevista exclusiva à TV Globo, o delegado da PF em São Paulo, Roberto Costa da Silva, detalhou a participação direta dos artistas: “Eles detinham as contas usadas para misturar dinheiro ilícito e receita lícita. A visibilidade nas redes sociais e o alto volume de seguidores proporcionavam um ambiente perfeito para legitimar as transferências.” Segundo o delegado, a popularidade de MC Poze do Rodo e MC Ryan SP foi explorada não só como marketing, mas como peça-chave na ocultação dos recursos.
Atualmente, a defesa de Poze e Ryan trabalha para questionar os mandados de busca e apreensão e pleitear a libertação dos cantores. Enquanto isso, a Polícia Federal mantém sob sigilo as investigações e avança na análise de milhares de documentos e registros apreendidos nas mansões dos artistas. Os mandados cumpridos em oito estados e no Distrito Federal representam o início de uma devassa complexa, cujo desfecho ainda está em segredo de Justiça, mas já provoca reflexos na carreira de ambos.
