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Quase 95% da população infectada por vírus difícil de bloquear; entenda qual é


Pesquisadores do Fred Hutchinson Cancer Center em laboratório, usando EPIs para desenvolver anticorpos contra o vírus Epstein-Barr. (Foto: Instagram)

O vírus Epstein-Barr (EBV), presente em cerca de 95% das pessoas no mundo, está mais próximo de ter um método de controle eficaz graças a uma descoberta recente. Pesquisadores do Fred Hutchinson Cancer Center, em Seattle (EUA), anunciaram uma estratégia inovadora contra esse patógeno, ligado a diversos tipos de câncer, como linfomas, e a doenças crônicas. O método envolve anticorpos que impedem a invasão viral nas células de defesa do organismo.

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O estudo, divulgado no dia 16 de abril na revista Cell Reports Medicine, descreve a criação de anticorpos monoclonais capazes de bloquear a entrada do EBV em células B, um dos maiores desafios para a ciência. Para isso, os cientistas empregaram camundongos transgênicos, programados para produzir imunoglobulinas humanas, e os expuseram a fragmentos-chave do vírus. Esse modelo permitiu selecionar moléculas com altíssima especificidade, voltadas às proteínas críticas do EBV, abrindo novo caminho para abordagens preventivas e terapêuticas.

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Os pesquisadores concentraram-se em duas proteínas essenciais para a infecção: a gp350, que faz a ligação inicial do vírus às células B por meio de receptores específicos, e a gp42, que atua no processo de fusão do envelope viral com a membrana celular. Ao gerar anticorpos direcionados a essas estruturas, conseguiram interromper o ciclo de infecção nas etapas iniciais, bloqueando a adesão e a penetração. Esses anticorpos demonstraram alta afinidade e seletividade em testes de laboratório.

Em modelos pré-clínicos que simulam o sistema imunológico humano, um dos anticorpos desenvolvido chegou a eliminar completamente a capacidade de infecção do EBV em culturas de células B. Em outro experimento, a combinação de dois anticorpos resultou na supressão quase total da replicação viral. Os resultados apontam para a viabilidade da imunização passiva via infusões, oferecendo tanto prevenção a indivíduos não infectados quanto controle de reativações em portadores crônicos.

O avanço é especialmente relevante para pacientes que passam por transplantes de órgãos ou de medula óssea, cujo sistema imune é propositalmente suprimido para evitar rejeição. Nessas situações, a reativação do EBV representa risco elevado de linfomas pós-transplante e outras complicações graves. Atualmente, não existem terapias específicas para prevenir a infecção por EBV nessas populações, e a administração de anticorpos monoclonais em esquemas profiláticos pode reduzir complicações e melhorar a sobrevida.

Apesar do entusiasmo com os resultados, os autores lembram que a estratégia ainda está em fase pré-clínica e requer etapas adicionais antes de chegar ao paciente. O próximo passo será conduzir estudos clínicos em humanos para avaliar a segurança, a dosagem ideal e a duração da proteção. Caso obtenham sucesso, esses anticorpos poderão integrar o arsenal contra o EBV, contribuindo para diminuir a incidência de cânceres e doenças crônicas associadas ao vírus em diferentes grupos de risco.

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