
Lula discute cenário eleitoral apertado em entrevista no Planalto (Foto: Instagram)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta hoje sua disputa em primeiro turno mais equilibrada desde 2002, segundo levantamento do Datafolha. Os números indicam redução significativa da vantagem em relação ao principal adversário, em um cenário marcado por polarização, alta taxa de rejeição e preocupações econômicas que deverão influenciar o desfecho da corrida eleitoral.
++ Sistema de IA revela como gente comum está criando renda passiva no automático
Em comparativo histórico, Lula saiu em 2002 com dez pontos de frente sobre José Serra, e em 2006 ampliou a liderança para 17 pontos diante de Geraldo Alckmin. No pleito de 2022, manteve 48% das intenções contra 27% de Jair Bolsonaro. Agora, Datafolha aponta 39% para o petista e 35% para o senador Flávio Bolsonaro, com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, sinalizando disputa muito mais apertada.
++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein
Para o cientista político Elias Tavares, esses índices refletem um eleitorado dividido e também as dificuldades do governo em apresentar novas conquistas. Ele destaca que, enquanto em 2002 o então candidato representava um “novo rumo” e em 2006 mantinha folga mesmo após crises, hoje Lula precisa disputar voto a voto sem espaço para falhas.
O professor Bruno Bolognesi, da UFPR, reforça que a crescente polarização torna o pleito imprevisível. Nesse contexto, o chamado “voto útil” se fortalece: eleitores procuram optar por quem consideram ter maior chance de vitória para evitar o triunfo do oponente.
A rejeição de Lula atinge 48% dos consultados, enquanto Flávio Bolsonaro acumula 46%. Figuras como Romeu Zema e Ronaldo Caiado registram índices de reprovação mais baixos, mas também menor familiaridade junto ao eleitorado, o que limita seu potencial de crescimento.
O cientista político Luis Gustavo Teixeira avalia que o desgaste do atual governo dificulta ampliar o apoio além da base tradicional, mas aponta possibilidade de reviravoltas ao longo da campanha, dado o pouco tempo de administração de Flávio Bolsonaro em cargos executivos. Já o sociólogo Antonio Lavareda ressalta que fatores como desempenho da economia e eventuais escândalos poderão interferir, e que Lula terá de ampliar a vantagem para compensar alta abstinção, sobretudo entre eleitores de baixa renda.
A diretora-geral do Datafolha, Luciana Chong, observa que a esquerda segue unida em torno de Lula, ao passo que a direita apresenta maior fragmentação, fator que pode favorecer o petista em um eventual segundo turno. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 137 cidades entre 7 e 9 de abril e está registrada no TSE.
